13 de junho de 2026
Skincare Noturna: Ingredientes para Pele Seca no Inverno
Descubra o que acontece com sua pele durante o sono e quais ingredientes dermatologistas recomendam no inverno. Otimize sua rotina noturna agora.
Ler maisDescubra o que são retinoides, como funcionam na pele e por que o inverno é ideal para iniciar o uso. Consulte um dermatologista e transforme sua rotina.
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Retinoides no Skincare: Como Agem e Por Que Usar no Inverno
Poucos ingredientes na dermatologia têm um histórico científico tão robusto quanto os retinoides. Usados há décadas tanto em contextos clínicos quanto em rotinas de cuidado com a pele, eles figuram entre os compostos mais estudados e validados da medicina dermatológica — com evidências que cobrem desde o tratamento da acne até a prevenção do envelhecimento cutâneo e a abordagem de manchas.
Ainda assim, rodeados de mitos e de uma quantidade significativa de informações imprecisas que circulam nas redes sociais, os retinoides costumam gerar dúvidas legítimas: como funcionam? Qual é a diferença entre um tipo e outro? E por que tantos dermatologistas recomendam o inverno como ponto de partida para quem vai iniciar o uso?
Este artigo foi elaborado para responder a essas perguntas com base em evidências científicas e nas orientações das principais referências da dermatologia, sem simplificações excessivas e sem alarmismos desnecessários.
Retinoides é o nome dado a uma família de compostos derivados da vitamina A. Essa família inclui tanto moléculas de uso tópico — aplicadas diretamente sobre a pele — quanto medicamentos de uso oral, indicados em situações específicas e sob rigorosa supervisão médica.
No contexto das rotinas de skincare, os retinoides mais relevantes são os de uso tópico, e eles se diferenciam principalmente pela potência e pela forma como interagem com a pele.
Retinol é a forma mais comum nos produtos de venda livre — aqueles que não exigem prescrição médica. Após a aplicação, o retinol precisa ser convertido enzimaticamente pela pele em sua forma ativa. Essa conversão acontece em etapas e resulta em uma ação mais gradual, o que geralmente significa menor irritação, mas também uma resposta mais lenta.
Aldeído retinoico (retinaldeído ou retinal) é um intermediário nessa cadeia de conversão. Mais potente do que o retinol, mas ainda sem necessidade de prescrição em algumas formulações, tem ganhado espaço nas discussões sobre eficácia e tolerabilidade.
Tretinoína (ácido retinoico) é a forma ativa — a que não precisa de conversão e age diretamente nos receptores celulares. Por isso, é a mais potente entre os retinoides tópicos e a que possui o maior volume de estudos clínicos. No Brasil, a tretinoína é um medicamento controlado, regulamentado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e seu uso requer prescrição médica.
Adapaleno é um retinoide sintético — criado em laboratório com estrutura molecular específica — originalmente desenvolvido para o tratamento da acne. Em concentrações menores, está disponível sem prescrição; em concentrações maiores, exige indicação médica. Tem perfil de tolerabilidade favorável e é especialmente útil para peles acneicas.
Para entender o que os retinoides fazem, é útil compreender como a pele se renova naturalmente.
A camada mais externa da pele — a epiderme — está em constante processo de renovação. As células nascem nas camadas mais profundas, migram para a superfície e, com o tempo, são eliminadas. Com o envelhecimento, esse ciclo fica mais lento. A produção de colágeno — a proteína responsável pela firmeza e estrutura da pele — diminui. Manchas podem se tornar mais persistentes. A textura da pele muda.
Os retinoides atuam em vários desses processos simultaneamente, por meio da ligação a receptores nucleares específicos nas células da pele — os receptores de ácido retinoico (RAR) e os receptores de retinoide X (RXR). Em termos simples: eles "falam" diretamente com o núcleo das células e influenciam a forma como genes relacionados à renovação celular e à produção de colágeno se expressam.
Na prática, isso se traduz em:
Aceleração do turnover celular: o ritmo de renovação da pele aumenta, o que contribui para uma textura mais uniforme e para a redução gradual de manchas superficiais
Estímulo à síntese de colágeno: com o uso contínuo, há aumento na produção dessa proteína estrutural, o que melhora a firmeza e reduz a aparência de linhas finas e rugas
Regulação da queratinização: o processo pelo qual as células da pele amadurecem e se organizam é modulado, o que torna os retinoides eficazes no controle da acne — incluindo os comedões (cravos) e as lesões inflamatórias
Inibição da melanogênese irregular: a produção irregular de melanina — o pigmento responsável pelas manchas — é parcialmente suprimida, contribuindo para um tom de pele mais homogêneo
Essas ações são documentadas em décadas de pesquisa clínica. Um estudo publicado no Archives of Dermatology já na década de 1990 demonstrou a capacidade da tretinoína de reverter sinais de fotoenvelhecimento — danos causados pela exposição solar acumulada — com uso regular e supervisionado.
Um ponto que merece atenção — e que frequentemente gera abandono precoce do tratamento — é o chamado período de adaptação.
Nas primeiras semanas de uso, especialmente com as formas mais potentes, é comum que a pele apresente:
Ressecamento e sensação de tensão
Descamação localizada
Leve vermelhidão e sensação de ardência
Aumento temporário da sensibilidade
Esse conjunto de reações é conhecido no meio dermatológico como retinization — o processo pelo qual a pele se adapta ao composto. Na maioria dos casos, esses efeitos são transitórios e se resolvem à medida que a pele se ajusta ao uso. A intensidade varia de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de pele, da concentração utilizada e da frequência de aplicação.
É justamente nesse contexto que o acompanhamento médico faz toda a diferença: a introdução gradual, a escolha da formulação correta e as orientações complementares de hidratação e fotoproteção determinam, em grande parte, se o processo de adaptação será tolerável ou não.
A recomendação de iniciar o uso de retinoides no inverno não é arbitrária — ela tem fundamento clínico e prático.
Os retinoides aumentam temporariamente a sensibilidade da pele à radiação ultravioleta. Durante o período de adaptação, quando a camada mais superficial da pele está mais fina e mais ativa, a exposição ao sol sem proteção adequada eleva o risco de irritação e de manchas reativas — justamente o oposto do que se busca com o tratamento.
No inverno, a intensidade da radiação solar tende a ser menor, os dias são mais curtos e a tendência de exposição direta ao sol é naturalmente reduzida. Isso cria condições mais favoráveis para atravessar as primeiras semanas de uso com menos intercorrências.
Vale ressaltar, porém, que o protetor solar é indispensável independentemente da estação do ano. A radiação UVA — responsável pelo fotoenvelhecimento — está presente ao longo de todo o ano, atravessa nuvens e vidros, e não diminui de forma significativa no inverno. O que o inverno oferece é um contexto de exposição cotidiana naturalmente menor, não uma dispensa do uso do filtro solar.
O calor intenso do verão pode potencializar a sensação de ardência e o desconforto durante o período de adaptação. Temperaturas mais amenas e umidade relativa diferente contribuem para que a pele tolere melhor a introdução de um ingrediente ativo como os retinoides.
Além disso, o suor excessivo típico dos meses quentes pode interferir na absorção e na estabilidade de algumas formulações.
Iniciar no inverno permite que a pele atravesse o período de adaptação — que geralmente dura entre quatro e doze semanas — e comece a colher os benefícios do tratamento justamente quando chega o verão, estação de maior exposição solar e, portanto, de maior risco para manchas e danos por UV.
Quem inicia no inverno chega ao verão com a pele já adaptada, com a rotina consolidada e com maior segurança para manter o uso com as orientações adequadas de fotoproteção.
Independentemente da estação em que o uso é iniciado, os retinoides e o protetor solar formam uma dupla inseparável.
O aumento da renovação celular promovido pelos retinoides deixa a pele mais sensível à ação dos raios UV. Sem fotoproteção diária — com FPS adequado, de amplo espectro, aplicado corretamente e reaplicado ao longo do dia quando há exposição — os benefícios do tratamento podem ser comprometidos e o risco de reações adversas aumenta.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de protetor solar com FPS 30 ou superior no mínimo, independentemente do tipo de pele ou da época do ano. Para quem está em uso de retinoides, essa recomendação é ainda mais relevante.
Dado o volume de informações que circula nas redes sociais — muitas vezes descontextualizadas ou imprecisas — vale esclarecer algumas confusões comuns.
Retinoides não são esfoliantes químicos no sentido convencional. Embora promovam renovação celular, seu mecanismo é diferente dos ácidos esfoliantes como o AHA (ácido glicólico) ou o BHA (ácido salicílico). Combiná-los sem orientação médica pode aumentar o risco de irritação.
Retinol de venda livre não é o mesmo que tretinoína prescrita. A diferença de potência é real e clinicamente relevante. Produtos com retinol disponíveis em farmácias e perfumarias têm seu lugar, mas não substituem a indicação individualizada de uma tretinoína, quando essa é a conduta mais adequada para o caso.
Retinoides não são indicados para gestantes ou lactantes. O uso de retinoides — especialmente os de uso oral, como a isotretinoína, mas também os tópicos em altas concentrações — é contraindicado durante a gestação. Essa é uma das razões pelas quais a prescrição médica e o acompanhamento são fundamentais.
Resultados não são imediatos. A expectativa de resultados visíveis em poucos dias é uma das principais causas de abandono precoce. Os benefícios dos retinoides se consolidam com uso regular ao longo de semanas e meses. A consistência, orientada por um dermatologista, é o fator mais determinante para o sucesso do tratamento.
Os retinoides têm indicações amplas, mas a adequação depende de uma avaliação individual. De forma geral, podem ser indicados para:
Pessoas com acne — incluindo diferentes graus de severidade
Quem apresenta sinais de fotoenvelhecimento, como linhas finas, rugas e textura irregular
Pacientes com hiperpigmentação — manchas solares, melasma, marcas pós-inflamatórias
Adultos que buscam uma rotina preventiva e de manutenção da saúde da pele
Por outro lado, peles com eczema ativo, rosácea não controlada ou processos inflamatórios em curso podem requerer abordagens diferentes ou adaptadas. Daí a importância de não iniciar o uso por conta própria, especialmente com formulações mais concentradas.
Não existe uma formulação de retinoide, uma concentração ou uma frequência de uso que seja ideal para todas as pessoas. A escolha mais adequada depende do tipo de pele, das condições dermatológicas presentes, da rotina já estabelecida, das metas de tratamento e de uma série de outros fatores que o dermatologista avalia em consulta.
A prescrição individualizada — em lugar da automedicação ou da replicação de rotinas vistas em redes sociais — é o que diferencia um resultado satisfatório de uma experiência frustrante ou, pior, de uma reação adversa evitável.
Os retinoides representam um dos capítulos mais consolidados da dermatologia baseada em evidências. Seu potencial para melhorar a textura da pele, tratar a acne, reduzir manchas e amenizar sinais do envelhecimento é amplamente documentado — mas esse potencial só se realiza de forma segura e eficaz quando o uso é bem orientado.
O inverno, com suas condições climáticas mais favoráveis e menor exposição solar cotidiana, oferece um contexto propício para iniciar esse processo. Não porque seja o único momento possível, mas porque facilita a travessia do período de adaptação com mais conforto e menos riscos.
Se você tem interesse em saber se os retinoides são indicados para o seu caso e como integrá-los à sua rotina com segurança, o caminho mais indicado é uma consulta com um dermatologista.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico clínico ou a prescrição por um profissional habilitado. Cada caso é único e merece avaliação individualizada por um dermatologista.
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